Veja como identificar sintomas de depressão em uma pessoa e as formas de ajudá-la

Quando imaginamos alguém que sofre depressão, logo pensamos em pessoas melancólicas, extremamente apáticas, que não se importam com a própria aparência ou que passam a vida trancafiadas em seus cantinhos, isoladas de todo mundo.

Entretanto, nem todo mundo que convive com o transtorno apresenta qualquer desses comportamentos que descrevemos, e muitos se tornam mestres em agir como se nada estivesse acontecendo. Mas isso não significa que as pessoas que conseguem “vestir” suas máscaras não estejam sofrendo — nem que as que não conseguem sejam mais fracas! E tem mais: muitos indivíduos que sofrem de depressão nem sequer sabem que têm a doença.

Por sorte, de acordo com Jane Scearce do site Lifehack, existem algumas atitudes que podem servir de indicativo de que o problema se instalou, e se você desconfia de que alguém que você gosta esteja doente, fique atento para os seguintes sinais:

1 – Distúrbios alimentares

O surgimento de hábitos alimentares estranhos — como comer demais ou de menos — pode ser um indicativo de que algo está errado. No caso de pessoas que param de comer, é possível que a doença esteja afetando seus apetites, tornando o ato de se alimentar em algo desagradável.

A nova postura com respeito à alimentação também pode ser uma resposta inconsciente à necessidade de ter algum controle sobre suas vidas, já que é muito difícil controlar a depressão. Por outro lado, no caso das pessoas que passam a comer demais, isso pode ocorrer em decorrência de essa ser uma das poucas fontes de prazer que esses indivíduos têm, o que os leva a abusar da comida.

Além disso, comer em excesso também pode ser um sinal de descuido pessoal e, como esse comportamento — e o consequente acúmulo de peso — é visto como algo vergonhoso, as pessoas com depressão se sentem ainda pior.

2 – Dificuldade de demonstrar afeto

Embora a maioria de nós associe a depressão com o sentimento de tristeza, a verdade é que o transtorno quase sempre está relacionado com a ausência de emoções. Portanto, é bastante comum ouvir pessoas com depressão dizerem que sentem como se estivessem “anestesiadas”, e que a sensação mais próxima a qualquer emoção é a de melancolia e irritação.

Portanto, para esses indivíduos é bastante difícil lidar com demonstrações de afeto e manifestar sentimentos de gratidão ou carinho. Além disso, também é possível que essas pessoas reajam mal e fiquem irritadas quando são obrigadas a lidar com essas emoções.

3 – Irritabilidade

Um sintoma bastante comum em quem sofre de depressão é a irritabilidade, afinal, não é nada fácil conciliar as questões do cotidiano com a batalha contra a doença, o que, além de ser cansativo, acaba deixando pouco espaço para a paciência e a compreensão. Assim, fique ligado quando a pessoa que você suspeita estar doente parece se enfurecer ou ficar agressiva com muito mais facilidade do que antes.

4 – Cansaço constante

Você conhece alguém que parece estar sempre exausto ou que reclama constantemente de estar cansado? Apesar de nem todo mundo que sofre de depressão apresentar esse sintoma, ele é um efeito colateral extremamente comum e bem difícil de contornar, portanto, é bom ficar atento.

Pessoas que padecem com a doença muitas vezes apresentam sinais de exaustão mesmo depois dormir a noite toda e — teoricamente — terem descansado o que a maioria considera como mais do que suficiente. Pior, muitas vezes elas não sabem por que se sentem assim, e acham que é culpa sua. Sem falar que, mesmo que tentem esconder o fato de estarem sempre cansados, isso acaba se refletindo em sua produtividade e em suas relações pessoais.

5 – Falta de interesse

Imagine, por exemplo, que alguém que sempre adorou se exercitar simplesmente perde o interesse em realizar atividades físicas, assim, do nada. Pois, conforme mencionamos nos itens anteriores, a depressão é um transtorno que não afeta as pessoas apenas mentalmente, mas fisicamente também.

Sendo assim, a doença pode fazer com que atividades que antes eram consideradas prazerosas percam completamente o apelo, e inclusive se tornem desagradáveis. Portanto, se não houver qualquer explicação razoável pelo desinteresse repentino.

Como ajudar alguém com depressão?

Conviver com quem tem depressão não é tarefa fácil. Se a pessoa for muito próxima, então, o sentimento de impotência dos que estão por perto é comum. Acompanhar a dor cotidiana, a falta de prazer nas pequenas coisas, as dificuldades com o sono, o desânimo, a autoestima comprometida e a dificuldade com as atividades antes corriqueiras causa estranheza e o questionamento permanente de como se pode ajudar.

Sem conseguir resposta, muitos recorrem à cobrança, quase sempre travestida de sentimentos de incentivo: “vamos lá, você precisa reagir!”; “é preciso força de vontade!”. O problema é que, apesar das melhores intenções presentes, acaba-se alimentando a culpa de quem já está desanimado e sem forças para lutar.

Renomado pesquisador da área de saúde mental, o psiquiatra Neury Botega explica, na obra “Crise Suicida”, que três pontos são fundamentais quando o assunto é o que não fazer: infantilizar a pessoa, tratando-a como criança; cobrar melhoras; e, por fim, desistir de ajudar.

É isso mesmo: desistir de ajudar costuma ser comum. A delicadeza do problema de saúde faz com que se pense que o melhor é deixar para lá, quieto, como se tudo se resolvesse em um passe de mágica com o tempo. Mas é justamente aí que mora o perigo. Entre o sentimento de não fazer nada e a dúvida sobre o que fazer, Botega ensina que algumas questões são fundamentais.

A primeira delas é compreensão e apoio: estar ao lado, doar tempo de qualidade, tomar um suco compartilhando o silêncio ou simplesmente ver um programa de TV juntos. Outro aspecto importante é demonstrar otimismo. Mas de que forma? Incentivar com delicadeza pequenas ações, tais como um banho, um lanche leve. O final da tarde costuma ser um horário propício, já que o desânimo costuma ser pior de manhã. O terceiro e último ponto destacado pelo psiquiatra é mudar a lente, ajustar o foco. Ou seja, frente aos sentimentos de falta de interesse, incapacidade, desesperança e autoestima afetada, ponderar que as conclusões são influenciadas pela depressão, mostrando, de forma delicada, qualidades e realizações de outras épocas. Nada de discutir ou de convencer por insistência. A proposta é usar a calma e ser conciso. Tudo isso sempre marcado pela escuta com muita atenção e respeito.

A doença mina a vontade e qualquer iniciativa de pessoas que antes eram vistas como batalhadoras e cheias de vida. É a tal perda da vitalidade. Neury Botega observa, ainda, que entre os cuidados dos familiares estão questões práticas, como lembrar o retorno ao profissional de saúde e da tomada de medicação. No caso de convivência com quem tem ideação suicida, aconselha dividir as preocupações com o médico, não deixar o doente sozinho e mantê-lo afastado de armas de fogo, veneno e grandes quantidades de medicamentos, por exemplo.

Você tem depressão ou conhece alguém que tenha e mesmo com o texto acima não consegue ajudá-la?

Mesmo que você não tem certeza de que precisa de ajuda ou que precisa ajudar alguém, não tenha receios em entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar ou ajudar, sob total sigilo e anonimato. Um dos voluntários sempre estará à sua disposição.

Para fazer contato com o CVV:
Acesse o Chat via internet (clique em cima do link): https://www.cvv.org.br/chat/
Ligue gratuitamente para o número 188 (de todo o território nacional, 24 horas todos os dias).

(Com informações do CVV – Centro de Valorização da Vida)