quinta-feira, 9 julho 2020

“Como não perdoar uma criança de 17 anos?” Diz pai de vítima fatal de tragédia em escola de Suzano sobre autor

Com a voz embargada diante dos repórteres que o interpelavam na tarde da última sexta-feira (15), Reinaldo de Souza Limeira Junior, pai de Kaio Lucas da Costa Limeira de 15 anos, uma das vítimas do massacre em Suzano, declarou que perdoa os assassinos que entraram na escola Raul Brasil no dia 13 de março e mataram oito jovens.

Visivelmente emocionado, o pai fez um apelo principalmente à imprensa, para que as mortes não sejam usadas para alimentar o ódio no país. “Não usem a morte do meu filho para alimentarem o ódio. Foi esse ódio que matou meu filho, porque esse ódio começa fora da escola, esse ódio começa nas redes sociais, esse ódio começa na televisão, e meu filho morreu como consequência disso”, disse.

Questionado por um dos repórteres se perdoaria os assassinos, Reinaldo ressaltou que um deles era um pouco mais velho que seu filho. “Um deles era uma criança um pouco mais velho que meu filho, como eu vou dizer que não perdoo uma criança de 17 anos?”.

Para o pai, a onda de ódio que assola o país tem origem em diversos fatores aos quais os jovens estão diariamente expostos, e que todos os adultos possuem responsabilidade pela situação do país.

“Quantas crianças hoje estão dentro de casa expostas aos mais variados tipos de ódio, que vem em redes sociais, essa polarização absurda que a gente vê em nosso país, onde paz não existe. Meu filho não merecia morrer, meu filho tinha muitos sonhos, era só uma criança como todas as crianças que morreram naquele lugar”.

Ao falar sobre o filho de 15 anos, que era torcedor do Real Madrid, o pai disse que os sonhos dele foram interrompidos pela violência que continua assolando o país e terminou a declaração pedindo ‘mais amor’.

Kaio foi o último estudante a ter o nome confirmado pela polícia na lista de mortos. O pai dele precisou ir à delegacia logo após o enterro para prestar depoimento, mas não tinha muito o que contar.

Especialistas temem que o massacre em Suzano possa estimular novos atos de crueldade em escolas por todo país, mas não é o medo que impedirá novas barbáries, mas a união da sociedade e governo em busca de soluções que realmente deem aos jovens uma nova perspectiva de vida.

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