Neste sábado (13), quando o massacre da Escola Estadual Raul Brasil completa 100 dias, a Associação Brasileira de EMDR (Eye Movement Dessensiization and Reprocessing) volta a Suzano para acolher, de graça, crianças, jovens e adultos impactados, direta ou indiretamente, pela tragédia e que ainda aguardam por atendimento psicossocial na rede básica de saúde. O acolhimento será realizado das 9 às 17 horas, na Escola Municipal Antonio Marques Figueira (localizada na Rua Sara Cooper, número 27, na região central).

Especializada no tratamento de traumas e com experiência em atendimento a sobreviventes e familiares das vítimas do incêndio da Boate Kiss e do rompimento da barragem de Mariana, a Associação Brasileira de EMDR fez o primeiro atendimento em Suzano na última terça-feira (09).

Foram acolhidos, na oportunidade, oito grupos de crianças e de jovens, além de um grupo formado por 12 pais de alunos da Raul Brasil e que ainda estão traumatizados com o ataque ocorrido em 13 de março e que deixou um saldo de 10 mortos, dezenas de feridos e centenas de pessoas traumatizadas.

Outros 45 atendimentos individuais foram realizados pelos profissionais, um total de 20, entre psicológicos e psiquiatras. O trabalho também vai ser feito na Antonio Marques Figueira nos dias 20 e 27 de julho, das 9 às 17 horas. Não é preciso pagar nada pelo serviço. Cada sessão dura aproximadamente uma hora e meia.

A Associação de EMDR chegou à cidade por meio da Comissão de Mães e Pais de Alunos da Raul Brasil formada após o ataque à escola com o objetivo de reivindicar melhorias em Segurança, qualidade Pedagógica e atendimento Psicossocial para a comunidade escolar afetada pelo massacre. No WhatsApp, a Comissão mantém um grupo com mais de 16 participantes.

NECESSIDADE

Reportagens recentemente publicadas pela Imprensa dão conta que a fila de espera para atendimento psicossocial na rede básica de saúde de Suzano, após o massacre e à Raul Brasil, está entre 1 mil e 1,5 mil pessoas.

“Muitas pessoas que vivenciaram a tragédia, ou que são parentes ou amigos de quem foi vítima do massacre, sendo fatal ou não, estão sem nenhum tipo de atendimento psicológico. São para essas pessoas que estamos trazendo para Suzano essa Associação de EMDR, que está tratando todos nós de graça e que tem muita experiência em traumas, já tendo trabalhado com sobreviventes e familiares de vítimas do incêndio da Boate Kiss e da quebra da barragem de Mariana”, lembra Juliana Santos, membro da Comissão de Pais da Raul Brasil.

A EMDR é reconhecida mundialmente em razão de sua eficácia em casos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), transtornos de ansiedade, depressão e reações vinculadas a caráter psicossomático. A abordagem utilizada pela Associação é aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo Departamento de Defesa de Assuntos de Veteranos de Diretrizes Práticas, e pela Sociedade Internacional de Estudos de Estresse Pós-Traumático.

Segundo a mestre em Psicologia Clínica e doutora em Ciências da Saúde, Ana Lúcia Castello, presidente da Associação de EMDR, falta de sono, ou vontade extrema de dormir, desânimo, perda de apetite ou compulsão alimentar estão associados a traumas não tratados, bem como ausência de esperança, alergias, anemias, náuseas, fraqueza e vontade de morrer:

“Traumas psicológicos, como este da Raul Brasil, podem afetar, a curto, médio ou a longo prazo, a maneira como uma pessoa passa a encarar a vida. Traumas provocam mudanças e alterações em ações, decisões e emoções, e impactam a saúde física, além da saúde mental do indivíduo. Traumas não trabalhados fazem com que a lembrança do fato ruim se torne angustiante, produzindo na pessoa afetada insegurança, medo e incapacidade. Por isso, é preciso atenção”, alerta.

Mais informações e agendamentos pelos telefones (11) 96442-1578 (Cintia), (11) 99257-2671 (Juliana) e (11) 99494-7825 (Iara).

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