quinta-feira, 9 julho 2020

Jovem Mikael Freire de 20 anos deixa mensagem antes de cometer suicídio em Suzano nesta quarta-feira (25)

O jovem Mikael Freire de apenas 20 anos de idade cessou sua própria vida na manhã desta quarta-feira (25), no bairro Jardim Leblon em Suzano.
O pai de Mikael encontrou o jovem já morto, enforcado.

Em seu perfil nas redes sociais, há cerca de um mês, o jovem escreveu uma mensagem onde dava a entender que estava pensando em fazer o que fez.
“Está chegando o momento que meu perfil vai lotar de gente que já não fala comigo há anos dizendo como eu era legal (risos). Eu pagaria pra ler. Logo logo”, escreveu Mikael no dia 19 de agosto deste ano.

O site SuzanoHoje.com apurou que o jovem sofria há algum tempo de depressão.
O velório de Mikael Freire é realizado desde o início da noite desta quarta-feira (25) em uma igreja evangélica, também localizada no bairro Jardim Leblon. Os pais do jovem são ex-pastores.

Como ajudar alguém com depressão?

Conviver com quem tem depressão não é tarefa fácil. Se a pessoa for muito próxima, então, o sentimento de impotência dos que estão por perto é comum. Acompanhar a dor cotidiana, a falta de prazer nas pequenas coisas, as dificuldades com o sono, o desânimo, a autoestima comprometida e a dificuldade com as atividades antes corriqueiras causa estranheza e o questionamento permanente de como se pode ajudar.

Sem conseguir resposta, muitos recorrem à cobrança, quase sempre travestida de sentimentos de incentivo: “vamos lá, você precisa reagir!”; “é preciso força de vontade!”. O problema é que, apesar das melhores intenções presentes, acaba-se alimentando a culpa de quem já está desanimado e sem forças para lutar.

Renomado pesquisador da área de saúde mental, o psiquiatra Neury Botega explica, na obra “Crise Suicida”, que três pontos são fundamentais quando o assunto é o que não fazer: infantilizar a pessoa, tratando-a como criança; cobrar melhoras; e, por fim, desistir de ajudar.

É isso mesmo: desistir de ajudar costuma ser comum. A delicadeza do problema de saúde faz com que se pense que o melhor é deixar para lá, quieto, como se tudo se resolvesse em um passe de mágica com o tempo. Mas é justamente aí que mora o perigo. Entre o sentimento de não fazer nada e a dúvida sobre o que fazer, Botega ensina que algumas questões são fundamentais.

A primeira delas é compreensão e apoio: estar ao lado, doar tempo de qualidade, tomar um suco compartilhando o silêncio ou simplesmente ver um programa de TV juntos. Outro aspecto importante é demonstrar otimismo. Mas de que forma? Incentivar com delicadeza pequenas ações, tais como um banho, um lanche leve. O final da tarde costuma ser um horário propício, já que o desânimo costuma ser pior de manhã. O terceiro e último ponto destacado pelo psiquiatra é mudar a lente, ajustar o foco. Ou seja, frente aos sentimentos de falta de interesse, incapacidade, desesperança e autoestima afetada, ponderar que as conclusões são influenciadas pela depressão, mostrando, de forma delicada, qualidades e realizações de outras épocas. Nada de discutir ou de convencer por insistência. A proposta é usar a calma e ser conciso. Tudo isso sempre marcado pela escuta com muita atenção e respeito.

A doença mina a vontade e qualquer iniciativa de pessoas que antes eram vistas como batalhadoras e cheias de vida. É a tal perda da vitalidade. Neury Botega observa, ainda, que entre os cuidados dos familiares estão questões práticas, como lembrar o retorno ao profissional de saúde e da tomada de medicação. No caso de convivência com quem tem ideação suicida, aconselha dividir as preocupações com o médico, não deixar o doente sozinho e mantê-lo afastado de armas de fogo, veneno e grandes quantidades de medicamentos, por exemplo.

Você tem depressão ou conhece alguém que tenha e mesmo com o texto acima não consegue ajudá-la?

Mesmo que você não tem certeza de que precisa de ajuda ou que precisa ajudar alguém, não tenha receios em entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar ou ajudar, sob total sigilo e anonimato. Um dos voluntários sempre estará à sua disposição.

Para fazer contato com o CVV:
Acesse o Chat via internet (clique em cima do link): https://www.cvv.org.br/chat/
Ligue gratuitamente para o número 188 (de todo o território nacional, 24 horas todos os dias).