Asa Branca, o maior locutor de rodeios do Brasil, morre aos 57 anos em São Paulo

Asa Branca, considerado o maior locutor de rodeios do Brasil, morreu nesta terça-feira (04), aos 57 anos de idade, após sua batalha contra o câncer na mandíbula. Ele estava internado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, em São Paulo, desde o sábado (25), com saturação de oxigênio muito baixa e fortes dores na região dos tumores. Desde domingo (2), Asa não se alimentava mais nem por sonda. Ele também não reconhecia mais familiares e amigos.

A morte de Asa Branca foi confirmada por sua família por meio de um comunicado enviado à imprensa. “É com muito pesar que informo a todos o falecimento do nosso querido Waldemar Ruy Asa Branca dos Santos. Em breve, mais informações”. Além disso, o comunicado incluiu uma frase do locutor: “Nunca abandone um amigo, independente de sua situação”.

Trajetória

Waldermar Ruy dos Santos teve sua trajetória contata em um documentário. Ele ganhou o apelido Asa Branca porque tinha a mania de agarrar passarinhos. Nascido em Turiúba, São Paulo, Asa perdeu os pais aos 15 anos, após o seu pai se suicidar e sua mãe morrer devido à doença de Chagas. Ele sonhava em ser peão de rodeio e aos 15 teve a oportunidade de montar um touro em uma competição. Sofreu um acidente e teve o pulmão perfurado pelo chifre de boi, o que interrompeu a carreira de peão.

Começou a se dedicar a locução profissional. Embarcou para os Estados Unidos, onde viveu ilegalmente, mas aprendeu mais sobre a profissão. De lá, trouxe um microfone sem fio e passou a usá-lo nas locuções de rodeio.

Na década de 90, Asa Branca se tornou nacionalmente conhecido por narrar os principais rodeios do país. Ele, que se destacava por fazer a locução de dentro da arena, a dois metros do boi, começou a usufruir da fama. Morava em um flat em um bairro nobre de São Paulo, tinha 2 mil cabeças de gado nelore em fazendas arrendadas no Pará e em Mato Grosso, um helicóptero e um avião bimotor. Era sempre convidado para participar de programas e fez até pontas em novelas, como Mulheres de Areia e O Rei do Gado.

No auge da carreira faturava mais de 300 mil reais por mês. Investia o seu dinheiro em carros de luxo, cavalos, helicóptero, drogas e muitas festas. Ele também se relacionava com muitas mulheres. Disse em entrevista que chegava a dormir com seis mulheres por noite e cheirar 3 gramas de cocaína em uma noitada. Em sua biografia, ele diz ter se relacionado com famosas como a apresentadora Marília Gabriela e as atrizes Alexia Dechamps e Isadora Ribeiro.

A vida desregrada o fez perder toda sua riqueza. Ele ainda contraiu o contrair o vírus HIV, em 2007. Em 2013, ficou hospitalizado por 83 dias devido a uma neurocriptococose, popularmente chamada doença do pombo, que atinge o sistema nervoso. Chegou a pesar 50 quilos e quase morreu. O primeiro diagnóstico do câncer veio em 2017, quando descobriu que estava em estágio avançado de um tumor maligno de orofaringe, localizado na parte de trás da boca, e que incluía a língua, a amígdala e as partes lateral e posterior da garganta.

Pai de cinco filhos, cada um com uma mulher diferente, Asa começou a entrar nos eixos em 2008 após começar a namorar sua última mulher, Sandra dos Santos, também soropositiva. Ela ficou ao seu lado até o fim da vida, cuidando de sua saúde, trocando curativos e o ajudando com a alimentação via sonda.

(com informações da Revista Quem)